Acupuntura: Tu te pinchas!

Você pode curar sem explicação científica?

Acupuntura: Tu te pinchas!
O 31,5% dos espanhóis que têm utilizado medicinas alternativas escolheram a acupuntura.

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Até o século XVII era coisa de chineses. Mas os jesuítas franceses trouxeram para a Europa como souvenir de suas expedições missionárias, e, em 1810, Louis-Joseph Berlioz (pai do famoso compositor) tratou com ela uma jovem paciente na Escola de Medicina de Paris. Ficava bem documentado seu primeiro uso, por parte de um médico ocidental.
Desde então, a acupuntura começou a ganhar terreno para o oeste, a princípio, com um ar de extravagância e, a partir da segunda metade do século XX, em uma explosão que em 2006 contava com 40.000 acupunturistas apenas na Alemanha. Atualmente, pelo menos, doze universidades espanholas a oferecem como uma disciplina de pós-graduação, e a maioria dos Colégios de Médicos de nosso país contam com seções que permitem manter um registro dos profissionais que a exercem: “acima de tudo, para evitar a intromissão”, esclarece o doutor Enrique Varela, diretor do mestrado de Acupuntura e Moxabustão da Universidade Complutense de Madrid.
A imersão nesta parte do mundo de uma prática com raízes profundas na outra tem como resultado uma série de aspectos ambíguos como polêmicos. Para começar, a sua justificação original. Como se conjuga a energia vital, os meridianos e o yin e o yang, com “nossa” medicina de linfócitos, neurotransmissores e artérias?
Pode ser que isso não seja muito significativo para os pacientes que sentir melhoria após o seu uso, mas sim para os profissionais educados com outra perspectiva e para os sistemas de saúde que se propõem a regular seu uso e, acima de tudo, se destinar certa porção do erário público. “Porque a sua explicação, não tem, de momento, base científica, mas cura para os pacientes”, afirma Varela, também especialista em Medicina Física e Reabilitação.
Ou seja, algo acontece em nosso organismo quando se aplicam as agulhas, ao menos para determinadas patologias. Para explicar, a ciência começou há cerca de 50 anos para ser submetida a experimentos projetados de acordo com critérios ocidentais. “Se vão descobrindo coisas sobre os efeitos bioquímicos e biológicos”, declara Valera, “quanto ao efeito sobre o sistema nervoso e sobre o caráter dos pontos de acupuntura”:
A OMS apoia a

A Organização Mundial de Saúde reconhece a sua eficácia para aliviar a dor e náuseas, e elaborou uma lista de doenças que possam ter efeito. A maioria estão relacionadas com ossos (dor de cabeça, de costas). Também as que afetam a musculatura lisa, cuja contração pode causar diarréia e espasmos intestinais ou em asma. Mais do que curar, melhora os sintomas e é especialmente útil em caso de alergia a medicamentos ou em pacientes com úlcera de estômago, que não podem tomar anti-inflamatórios.
A exame
Dez sociedades médicas alemãs, que prestam um serviço equivalente ao de nossa Segurança Social, decidiram testar a eficácia e segurança do tratamento de dores crônicas de cabeça, região lombar e de artrose. Descobriram que a acupuntura provoca uma melhoria clara, e que dura pelo menos vários meses para as doenças indicadas. Não obstante, a vantagem da acupuntura real frente à simulada somente pôde ser testado no tratamento de dores decorrentes da artrose de joelho.
Para dar validade aos estudos costumam usar grupos de controle, a cujos integrantes se, clique em pontos do corpo não indicados tradicionalmente, ou com agulhas falsas que só tocados superficialmente. Em muitas das conclusões são registrados resultados semelhantes em ambos os grupos. E ainda mais, uma pesquisa recente das Universidades de Michigan e Harvard (EUA) comprovou que a dor de braço melhorou mais no grupo com agulhas de imitação do que na acupuntura real.
O credo dos acupunturistas.

Doença. O yin e o yang interagem em forma de uma energia (qi) que percorre o corpo através de uma rede de canais chamados de meridianos. As doenças são causadas por alterações no equilíbrio do yin e do yang ou no fluxo de qi.

Pontos para ir. São as “janelas” de acesso a essa rede, que pode restabelecer o fluxo de qi.

Órgãos. As vísceras ocas (intestinos, estômago, bexiga,…) têm um papel de trânsito, e as cheias (coração, fígado…) armazenam e liberam energia.

Razões da ciência

A picada pode desencadear um sinal no sistema nervoso que chega ao cérebro e lhe conmine a liberar substâncias com efeito sobre todos analgésico, anti-inflamatório e calmante, como as endorfinas ou serotonina.

Um experimento da universidade de Southampton (Reino Unido) mostrou que a atividade em áreas do cérebro que liberam endorfinas relacionadas com a dor. Mas pode ser que registravam o furo em si.

Foi visto que os pontos de acupuntura concorrem mais terminações nervosas e vasos sanguíneos, o que pode explicar que facilitem a reação, mas se questiona muito que sejam os únicos eficientes no corpo.
Para todos os gostos

Moxabustão. Aplica-Se calor queima de uma erva chamada moxa, derivada da deusa ártemis. Pode ser direta (sobre a pele), ou indireto (sobre a agulha, cujo calor passa bem ao corpo).

Auriculopuntura. Se potencializa o efeito da agulha com uma corrente elétrica de baixa intensidade: a usada na eletroestimulação transcutânea frequente em reabilitação.

Acupressura. A estimulação dos pontos é feita com os dedos, em vez de ponteiros.

Auriculopuntura. Acupuntura aplicada a determinados pontos da orelha que só aparecem em caso de doença.
O auto-ajuda?
Para explicar este paradoxo, os pesquisadores apontam o efeito placebo: é a atenção que recebe o paciente que desencadeia a resposta fisiológica que lhe faz sentir-se melhor. E a acupuntura oferece atenção: além do necessário o contato físico entre médico e paciente, o interrogatório característico para estabelecer o diagnóstico é extenso e abrangente. “Perguntas de coisas que não parecem ter a ver com a doença, como os sabores preferidos, os sonhos, e às vezes até mesmo por temas íntimos. E isso tem um efeito muito psicoterapêutico”, esclarece Henrique Varela, que considera a acupuntura “um instrumento a mais nas mãos do médico” e reconhece que o placebo pode explicar uma parte do resultado. Além disso, destaca que: “Estes pacientes geralmente são privados, e dá-lhes todo o tempo do mundo”.
O que sugere que esta terapia pode estar criando raízes nos flancos mais fracos da medicina convencional cotidiana: a visão psicossomática e o tempo de dedicação. Edzard Ernst, professor de Medicina Complementar da Universidade de Exeter e célebre crítico da acupuntura, o manifesta assim: “A medicina ocidental poderia aprender com ela que, ao potenciar o efeito placebo, pode ser aumentada a resposta terapêutica”.

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